
5 estrelas.
Clint conquistou-me como realizador, coisa que nunca conseguiu como actor de Westerns.
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Hoje há Gran Torino e Haagen Dazs Strawberry Cheesecake.
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É véspera de S. João e eu estou em casa, sem sardinhas, nem pimentos, nem broa ou batata cozida, nem balões ou manjericos, nem quadras, nem martelos, nem música e passeio pela marginal. Em vez disso, passo a ferro e organizo as fotos do fim de semana no Flickr. Buh. Eu queria S. João. Mesmo. Assim muito. E as sardinhas, ai o que queria as sardinhas assadas…
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Diz-me o meu irmão pequenino, então não testas a vida? Testo. Sim, testo e hoje vou falar dos meus testes… Este fim de semana foi prolífero em experiências, duas muito British, outra muito vruuummmm!
Sábado. Royal Ascot.

*please insert horses here, at various times. thank you.
A day at the races. O dia começou cedo, bem cedo, com vestido posh, salto alto, clutch especially made for the occasion and, of course, a fascinator. Um fascinator é um acessório que sempre vi como very British e a que não achava muita piada mas agora gosto. Gosto de ver as fotos da minha pessoa com uma destas coisas, pronto.
Em Ascot, vi a Rainha (num ecrã) a desfilar na carruagem real (isto vi sem ecrã). Vi, ouvi e senti o chão tremer-me debaixo dos pés com a velocidade dos cavalos. Fiz apostas e não perdi libras. Admirei fatiotas, chapéus e fascinators, classe. Mas, há sempre um mas… também vi muita coisinha feia e de mau gosto, vulgo pirosa. Ainda pensei em agraciar este espaço com tais vistas, mas desisti porque afinal quer-se este um laboratório de bom gosto (see clutch below to confirm this).
Sábado à noite. Garden Party at an Oxford College.
Muita gente bem vestida, ou não estivessem os meninos em black tie e as meninas em vestido de noite. Champagne e gelado. Gosto sempre. Muita gente interessante. Muita gente a achar-se interessante. Parecenças com um casamento, sem noivos. Gente gira, alguma. Champagne. Bom. Gelado. A música era boa, ao vivo, piano. Acho que piano fica sempre bem. E um violoncelo. Os sofás eram bem comfortáveis mas não fiquei muito tempo sentada. O jardim era encantador. Gelado.
Domingo. British Grand Prix.
Gold tickets, at Silverstone. Que isto é assim, tudo em grande. Passeámos pelo recinto, comprámos bonés (para o meu irmão pequenino que é o melhor do mundo), desfilei os meus sapatos vermelhos que me estavam a matar os pés por causa da véspera mas que são lindos, um lenço de pescoço vermelho… Ferrari all the way, Massa, Felipe Massa, para mim. A comunidade brasileira em peso, com bonés do Massa e vestidos “à Brasil”. Muitos fãs do Button, muitos. Alguns, menos, fãs do Hamilton. Muito helocópteros, tantos, suponho que para trazer os VIPs todos. Lucky. Uma exibição dos Red Arrows. Interessante. Os nossos lugares. Preparar o tripé para a câmara. Quase perder a entrevista com o Massa a passar no ecrã gigante à nossa grente. Quase, mas não. A volta de reconhecimento, os aplausos, fotografar. A partida. A velocidade. O som. O som tão familiar e tão real agora, mesmo ali. Que luxo. Fotografias, muitas, sempre do mesmo e no entanto sempre excitantes, a curva que quase via trsitezas mas não viu. O fim, sem Massa no pódio. A corrida dos históricos, iguais aos nossos carrinhos de brinquedo quando éramos pequeninos. Sair, sem pressa. O trânsito, só com sorrisos. Duas horas até casa. E só teria sido melhor se o Massa tivesse ganho. Lindo. Atmosfera.
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Às vezes faltam-me as palavras, palavras que falam da saudade de dormir quente com gatos aos pés, das conversas sobre nada que eram tão importantes na altura, com a tv ao fundo, na britcom, do café que era sempre carioca para mim nos maias que nunca se chamaram maias mas ainda hoje me faz sorrir o nome assim dado por nós, dos lanches de fim de tarde no Aviz, com meia de leite clara e morna e torrada com pouca manteiga, em que a vida era descoberta nas palavras, as que me faltam, que dizia pela primeira vez à mesa da janela, sempre a mesma, dos pastéis folhados de espinafres do Monte Branco no verão que foi acordar do amor e aprender a viver sem na praia que nos aquecia o espírito, no mar que nos refrescava as ideias e a pele morena, dos jantares em Gambelas e dos sorrisos dos meus amigos que guardo no lugar das coisas boas que temos sempre à mão, que revejo nas fotografias que sou feliz por ter, dos jantares em Montenegro que me faziam desejar tantas vezes que a vida não nos obrigasse a crescer nunca, do radiador que não era meu mas que estava no meu quarto nas noites frias da britcom e dos trabalhos que eram demais para o tempo que tínhamos e de como o meu quarto ficava quente com os trabalhos de grupo e as gargalhadas que soltam os bêbados de sono, como estávamos tanta vez, dos abracinhos apertados do meu irmão e da belly que is going away e nunca vai e ele aperta e faz-me sorrir porque é a minha pessoa preferida e das pessoas preferidas tudo nos faz sorrir e querer mais, das girly nights nas noites frias de Bristol que às vezes até nem eram tão frias assim mas eu tenho frio quando a ilha é noite, das tardes de fim do trabalho que eram telefonemas para Londres e relatos caóticos das vidas que íamos construindo devagar, dos dias de verão em Oxford que são sempre os melhores e me põe um sorriso feliz de sol na alma. Às vezes faltam-me as palavras que contam os pormenores quietos das minhas memórias felizes. Nunca me faltam as imagens ou o som do riso ou o aroma da felicidade.
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Estou cansada. De sono. Tenho o quarto um desalinho. E a camisola de lã que estou a tricotar está a fazer-se difícil na hora de juntar as peças. Digamos que a gola não está a contribuir para o bem do todo. Coloca-se aqui o dilema – quarto ou camisola, visto que resolver ambos é pouco provável? Posso também prioritizar, claro… ou não. Porque estou cansada. De sono. Pelo menos não chove. Por agora…
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Uma menina mulher, muito proper, muito lovely, muito British. Um sorriso de querer fazer sorrir, preso em timidez e doçura, a encantar-lhe o contorno dos lábios. Soube porque estava ele tão apaixonado por ela. Sabia já porque estava ela tão apaixonada por ele. Contou-me a sua história. Conhecemo-nos há 4 anos. Estivémos juntos 6 meses. Separámo-nos. Went our separate ways. Há uns meses, antes de deixar Londres, ele ligou-me, quero ver-te, despedir-me… I knew I shouldn’t go… I was with someone else, he was with someone else… I still had feelings for him… I went. And we knew we wanted to be together. It’s meant to be… If you think about someone for 4 years… It’s meant to be. E oferece-me um dos seus sorrisos de querer fazer sorrir, os olhos a brilhar, e eu que não acredito em meant to be acreditei nela, neles, no sorriso, no brilho e no meant to be. Invadiu-me uma ternura imensa por ela, por eles, pelo amor do mundo.
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Comprei um caderno de receitas, com uma capa muito vintage cuja foto não encontrei na net. Para este caderno, comecei a copiar as receitas antigas que estão num mui útil ficheirozinho que se assemelha a uma página wiki, que me permitiu mudar para o UK cheia de receitas maravilha a peso zero de bagagem. Tenho, eu, alguns hábitos estranhos e um deles é começar a escrever num caderno, seja ele de que tipo for, com qualquer coisa que me seja importante. Passando os olhos pelo ficheiro, vi a primeira receita doce que fiz, copiada do caderno precioso de receitas da minha Avó, que era na verdade uma agenda tão antiga que as folhas estavam já amarelas e mal se mantinham no sítio e que eu adorava porque me parecia tão bonito (e quero um dia que o meu caderno de receitas esteja assim). Salame. Salame de chocolate. E lembrei-me de quando fazia salame na casa de Montenegro, em Faro, e a J. estava encarregue de esmagar as bolachas e eu era chata pra ela e rabujava que não estavam bem esmagadas e ela mandava-me esmagá-las eu mas ficava ali e lá ia buscar o rolo da massa e passava por cima das bolachas cuidadosamente embrulhadas no saco plástico e eu lá lhe perguntava se ela não achava que estava muito melhor e ela dizia que era igual e eu sorria, como sorrio agora, porque às vezes tenho tantas saudades dela… tenho saudades de fazer receitas com ela e de ser chata pra ela e de ela ser chata pra mim mas no fundo nada daquilo importar e o que fica desses dias é uma saudade imensa de nos podermos chatear, porque isso significa que estamos juntas.
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Foi no dia a seguir ao dia que passou, quando as flores amarelas foram focos de luz e aromas primaveris na Primavera que nunca foi. Foi nesse dia. Os móveis escondiam-se debaixo dos lençóis brancos ainda sem pó, em jeito de casa antiga, que não era. Queria arrancar os lençóis, dobrá-los metodicamente e guardá-los nas gavetas dos móveis escuros que ocupavam divisões em lugares solenes de banalidade por uso. Devolver à casa fechada as janelas abertas em plantas viradas para o sol. No ar, ainda um breve aroma dos perfumes matinais dos que já não existem, que estavam lá só antes dos lençóis, e que admiravam os móveis e às vezes compravam flores amarelas porque. Foi nesse dia. Foi nesse dia que chorei.
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hoje pensei em ti, só porque sim, e em todas as perguntas sem resposta que de tanto não terem razão se esgotaram nesse poço sem fundo que leva as perguntas sem resposta até que não existam mais. é quando chega a resposta que entretanto nunca foi pergunta e que não responde a nada só levanta outras perguntas que agora sei nunca vão chegar a ser pergunta porque as vou deitar no poço sem fundo que leva as perguntas sem resposta até que não existam mais antes mesmo que as perguntas se formem… mas só depois dessas perguntas me dizerem que um dia queriam ser…
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Em letra cuidada, a dedicatória da Joana no livro que também é dela e que agora é um bocadinho meu chega-me a casa e ao coração. Toquei a capa devagar, com a ponta dos dedos, o livro a caber-me na mão, antes de o abrir no conto sem título que torna Braga um pouco minha, no namoro amor primeiro em visitas inocentes e beijos puros que um dia foram dor e desilusão e deixar de ser menina quando só se sabe ser menina e não se sabe ser mais nada. Sim, Braga é também minha nas palavras da Joana, que tornam Braga uma cidade de toda a gente.
Obrigada. Que mais não há a dizer, de gesto tão bonito que foi esse teu!
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Há-de reparar-se que quanto mais trabalho se tem, mais por aqui se escreve – essa coisinha chamada procrastinação, palavra tão bonita e muito esquecida, suponho porque não convém lembrar! Entretenho-me a procurar inspiração e linguagem fluída, rendendo-me ao génio musical de James Taylor.
Fire and Rain
Just yesterday morning they let me know you were gone
Susanne the plans they made put an end to you
I walked out this morning and I wrote down this song
I just can’t remember who to send it to
I’ve seen fire and I’ve seen rain
I’ve seen sunny days that I thought would never end
I’ve seen lonely times when I could not find a friend
But I always thought that I’d see you again
Won’t you look down upon me, Jesus
You’ve got to help me make a stand
You’ve just got to see me through another day
My body’s aching and my time is at hand
And I won’t make it any other way
Oh, I’ve seen fire and I’ve seen rain
I’ve seen sunny days that I thought would never end
I’ve seen lonely times when I could not find a friend
But I always thought that I’d see you again
Been walking my mind to an easy time my back turned towards the sun
Lord knows when the cold wind blows it’ll turn your head around
Well, there’s hours of time on the telephone line to talk about things
to come
Sweet dreams and flying machines in pieces on the ground
Oh, I’ve seen fire and I’ve seen rain
I’ve seen sunny days that I thought would never end
I’ve seen lonely times when I could not find a friend
But I always thought that I’d see you, baby, one more time again, now
Thought I’d see you one more time again
There’s just a few things coming my way this time around, now
Thought I’d see you, thought I’d see you fire and rain, now
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Foi há muito tempo. Das palavras que foram e não foram, ficaram apenas as que escolhi guardar. Um álbum de memórias feito à medida das imagens que queremos lembrar. Pego-lhe de quando a quando e sei das coisas que senti e das coisas que vivi. Sempre que o faço, lembro coisas que não estão ali, que se esconderam em sulcos desfocados atrás dos segundo de nitidez que ficaram. Sorrio, sempre. Sorrio porque guardei esses sorrisos de momentos felizes. Apenas. Sorrio porque no fundo foi isso que vivi, um sorriso de vida.
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One book

One film

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A sopa da minha Mãe é a melhor do mundo. Aqui, não tenho a sopa da minha Mãe. Aqui, faço eu a sopa, o mais parecida que consigo, para me aquecer em dias gelados lá fora e dentro da alma. Gosto de sopa quentinha, desta capaz de nos aconchegar o espírito quando precisamos.
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Parti, de novo. Há nas partidas uma nostalgia que me envolve e se mistura com as memórias dos dias. Aqui cheguei de olhar baço e saudades mil. De novo o processo que é fazer nosso o lugar onde estamos, que por momentos não é casa.
Neva, em Oxford.
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