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Louie…

Louie || Setembro 2001 - Janeiro 2010

Setembro 2001 – Janeiro 2010

do Louie e do amor

019 - Louie

“Somos responsáveis por aqueles que cativamos”

O Pincipezinho

O Tomás e o Luís nunca estiveram separados. Até ontem. Por minha culpa.

***

O Tomás e o Luís entraram na minha vida em 2001, primeiro o Tomás, três semanas depois o Luís (e a Ana, um doce mimado que perdemos em 2002 num dia demasiado triste para lembrar). Em 2005, mudámo-nos de Faro para o Porto. Em 2006, mudei-me sozinha para Bristol. O plano era eles juntarem-se a mim um mês depois, mas demasiados dos meus planos correm mal e esse foi um deles. Deixei-os. Deixei-os com a minha Mãe e sei que não poderiam estar em melhores mãos, mas deixei-os.

***

Ontem, o Luís foi levado de urgência para o hospital. Diagnóstico: saudade. Consequência: um quadro hepático grave. Responsável: eu.
Porquê agora? O amor não se explica.

***

Sim, somos responsáveis por aqueles que cativamos. Há uma promessa de para sempre implícita no amor, maior quando uma das partes não pode entender a falibilidade dessa promessa. Não basta que os deixemos bem. Temos que saber deixá-los, libertá-los do amor em que os trazemos cativos. E essa é a parte difícil, porque requer um altruísmo que não tive. Quando vou a casa, é como se o tempo não tivesse passado. Negligente, cativo-os de novo, no amor que lhes tenho. Porque eu sei lidar com a saudade no depois. Porque eu lhes quero bem. Porque eu fui egoísta.

Sim, somos responsáveis por aqueles que cativamos. Porque há no amor também a promessa implícita de liberdade desse amor.

de fotografia

Quando crescer, quero fotografar assim

domingo de Inverno

Sunshine's back, snow's gone

Gosto da quietude de domingos. Solarengos. Talvez frios. Como hoje. Frio e quieto, como se não houvesse pressa de chegar a lado nenhum nem sair de mim. Fiz chá. Vejo o sol bater na caneca colorida enquanto espero que a água aqueça. Sem pressa. Devagar. Como se amanhã já não estivesses em mim só porque não tive pressa em ver-te sair. Mas tanto tempo depois, às vezes tenho pressa. Mesmo em domingos quietos de chá quente sob o sol frio. Recorto fotografias destes dias e sinto-me desbotar enquanto espero a cor da tua ausência. Quando não for domingo.

de querer sempre

Por aqui, pensa-se em esquecer. O problema das memórias guardadas, ao contrário das esquecidas, é que se depositam nos sulcos finos da nossa pele e despertam ao menor toque. Não quero tocar-te. Nãao quero lembrar que te toquei. Quero que a minha pele seja só minha e que a recordação do cheiro do teu pescoço seja inodora. Mas não é. Nas covas do teu riso que me fitou, a minha mão que se move segura pelo teu corpo mapeado a desejo. Na tua voz a embalar-me o sono, o tempo todo que não passou. Quando toda eu for pele vincada pelos dias, e de ti não souber mais que uma memória, nunca vazia de ti a minha pele, sempre o aroma doce da curva do teu pescoço.

Em Janeiro, ouço A Long December… há mais de 10 anos que me aquece… I can’t remember the last thing you said as you were leaving, now the days go by so fast… It’s been so long since I’ve seen the ocean… I guess I should…



de chapéus

Este, terminado no fim do ano, fotografado no primeiro dia do ano!

New hat on the first day of the year

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