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Este ano, o tema do Blog Action Day é climate change. Não há nada que eu possa dizer sobre as alterações climáticas que não possa ser encontrado em fóruns mais qualificados, como os reunidos aqui. Resta-me, portanto, uma perspectiva meramente pessoal.
Pinguins. Para mim, as alterações climáticas começaram por ser uma história de pinguins. E ursos polares. E demais fauna, cute ou nem tanto. E flora. Degelo. Calor. Frio. Inundações.
Pessoas. Para mim, as alterações climáticas são também uma história de pessoas. As que contribuem para as alterações climáticas – uma maioria dita civilizada. As que procuram um equilíbrio entre o estilo de vida e o impacto do mesmo – uma minoria dita… . Ler sobre alterações climáticas, trabalhar de perto com alternativas de energia e viver permanentement actualizada sobre o tema tem o seu quê de muito cinzento. Há a realização constante de que no grande esquema das coisas pouco há a fazer. Mas pouco não é nada. Pouco é alguma coisa. E alguma coisa faz imensa diferença, ou não houvesse uma coisinha chamada relatividade. Há a realização inevitável de que a maioria das pessoas pouco ou nada se interessa pelo tópico quando toca a mudanças básicas (já nem digo radicais) de comportamento. E há a realização de que há pessoas que se interessam. Eu prefiro ver o mundo nos olhos dos que se interessam, como os meus amigos P. e E. e A. O P. e o E. e o A. usam a bicicleta e depois o comboio para chegar ao trabalho, quer chova quer faça sol, em vez do cómodo carro. Onde moramos, é mais barato e mais prático e mais confortável e mais fiável ir de carro para o trabalho; mas eles sujeitam-se (sim, o serviço que temos é mau), por amor à camisola. Ver os sorrisos genuínos deles todas as manhãs faz-me acreditar que nós e os pinguins vamos ficar bem.
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… sabes-te um arrependimento. uma lição de vida, talvez. e de repente a memória ensombra-se, como se tuas fossem também as memórias alheias…
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Quando volto atrás e penso no instante que terá mudado os dias, vejo sempre as escadas. ouço os teus passos, que espero teus, e depois tu, és tu. as escadas, o som dos teus passos. sei a posição das escadas em relação à porta. esqueci as cores, penso até que esqueci os cheiros da casa naquele inverno até que sinto o aroma do teu pescoço, por um instante apenas. sei o que vestias, com uma exactidão que não esperava. as escadas. o som dos teus passos. para mim, foi aí. tudo o resto foi depois. se a vida se reescrevesse em dias de chuva, passava a borracha branca e escrevia por cima a lápis. para que ficasse sempre uma impressão, do que poderia ter sido. não descias as escadas. não haveria o som dos teus passos. quando volto atrás, ao momento que mudou momentos, as escadas, o som dos teus passos, tu.
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