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“Somos responsáveis por aqueles que cativamos”
O Pincipezinho
O Tomás e o Luís nunca estiveram separados. Até ontem. Por minha culpa.
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O Tomás e o Luís entraram na minha vida em 2001, primeiro o Tomás, três semanas depois o Luís (e a Ana, um doce mimado que perdemos em 2002 num dia demasiado triste para lembrar). Em 2005, mudámo-nos de Faro para o Porto. Em 2006, mudei-me sozinha para Bristol. O plano era eles juntarem-se a mim um mês depois, mas demasiados dos meus planos correm mal e esse foi um deles. Deixei-os. Deixei-os com a minha Mãe e sei que não poderiam estar em melhores mãos, mas deixei-os.
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Ontem, o Luís foi levado de urgência para o hospital. Diagnóstico: saudade. Consequência: um quadro hepático grave. Responsável: eu.
Porquê agora? O amor não se explica.
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Sim, somos responsáveis por aqueles que cativamos. Há uma promessa de para sempre implícita no amor, maior quando uma das partes não pode entender a falibilidade dessa promessa. Não basta que os deixemos bem. Temos que saber deixá-los, libertá-los do amor em que os trazemos cativos. E essa é a parte difícil, porque requer um altruísmo que não tive. Quando vou a casa, é como se o tempo não tivesse passado. Negligente, cativo-os de novo, no amor que lhes tenho. Porque eu sei lidar com a saudade no depois. Porque eu lhes quero bem. Porque eu fui egoísta.
Sim, somos responsáveis por aqueles que cativamos. Porque há no amor também a promessa implícita de liberdade desse amor.
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Quando crescer, quero fotografar assim…
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Gosto da quietude de domingos. Solarengos. Talvez frios. Como hoje. Frio e quieto, como se não houvesse pressa de chegar a lado nenhum nem sair de mim. Fiz chá. Vejo o sol bater na caneca colorida enquanto espero que a água aqueça. Sem pressa. Devagar. Como se amanhã já não estivesses em mim só porque não tive pressa em ver-te sair. Mas tanto tempo depois, às vezes tenho pressa. Mesmo em domingos quietos de chá quente sob o sol frio. Recorto fotografias destes dias e sinto-me desbotar enquanto espero a cor da tua ausência. Quando não for domingo.
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Por aqui, pensa-se em esquecer. O problema das memórias guardadas, ao contrário das esquecidas, é que se depositam nos sulcos finos da nossa pele e despertam ao menor toque. Não quero tocar-te. Nãao quero lembrar que te toquei. Quero que a minha pele seja só minha e que a recordação do cheiro do teu pescoço seja inodora. Mas não é. Nas covas do teu riso que me fitou, a minha mão que se move segura pelo teu corpo mapeado a desejo. Na tua voz a embalar-me o sono, o tempo todo que não passou. Quando toda eu for pele vincada pelos dias, e de ti não souber mais que uma memória, nunca vazia de ti a minha pele, sempre o aroma doce da curva do teu pescoço.
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Em Janeiro, ouço A Long December… há mais de 10 anos que me aquece… I can’t remember the last thing you said as you were leaving, now the days go by so fast… It’s been so long since I’ve seen the ocean… I guess I should…
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