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ali só que não

Foi hoje que nos sonhei?, não sei já, talvez ontem, sei que não amanhã. Tu estavas lá, nesse sítio que não sei onde, via-te como se sem lentes ou óculos, que às vezes uso óculos, quando os dias me pesam. Viste-me de óculos? Não lembro, tanta coisa que esqueci, tanta coisa que nunca soube, uma vida, diria em tom nostálgico, quase triste de resignação, se fosse de dizer alguma coisa. Não sei se é. Sonhei-nos um dia destes, então será, que não amanhã, que para amanhã não há sonhos assim, não proibidos, só não, como sonhar com fadas e elefantes amarelos, tontices que não vão ser, embora goste de amarelo e elefantes e sonhos, fadas nem por isso. Sem lentes ou óculos, devo ter-me esquecido, desfocado, estavas, mas eras tu, sonhei-te. Não sei se falámos, às vezes ouvíamos o silêncio, mas não muitas vezes, que não gostavas, acho, mais que não sei, mas dizia que falámos ou não, porque não lembro a tua voz no sonho, nem a minha, só tu desfocado como se ao longe, mas perto, lembra-me que a ausência é do espírito, porque no sonho estavas ali só que não.

de dias que…

Há uns dias mais difíceis que outros. É só.

não estás

Sentamo-nos a ver a relva crescer, as mãos quietas pousadas lado a lado, quase te sinto, mas não, sei só que estás ali. Ou não. Olhamos o tempo parado que nos foge como se tivesse pressa, essa que nós não temos. Nós temos o silêncio e a brisa e a proximidade das mãos que se sabem sem se tocarem, sempre porque o nunca é tempo demais.

sons

sons

sem plano

A caminho de Oxford, penso nas férias e em tudo o que foi diferente do que pensei que seria… tudo, portanto, com excepção do vestido amarelo e da festa.

Houve o antes dos dias e os planos de sempre. Houve os dias em que a vida é um sorriso em mil deslumbramentos e brilho interior, nos segredos partilhados no tacto e na curva doce do pescoço que se descobre. E houve o depois dos dias.

Os dias que foram tornaram-se silêncio de aprender a viver sem, envoltos em sorrisos que se foram redescobrindo nas surpresas que surjem quando deixamos.

Olho para trás e penso que se  queria os dias escritos a impressão digital e corpos que se descobrem e encontram, fui também feliz nesses outros tão diferentes, escritos sem aviso prévio. Olho para trás e penso que fazer planos… um dia a vida adormece e atira-nos da cama e a única coisa que nos ampara é estarmos abertos ao que nos pode fazer sorrir… e deixarmo-nos ir…

aqui

Torna-se este espaço um relato de regressos e futuros. De dias que foram, de dias que são e de dias que serão, em formato sonho ou promessa.

Solto-me de mim enquanto sou cada vez mais eu, olhar sorriso porque.

E aos poucos vou-me levando para onde quero ir.

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