Há dias, raros agora, em que me apetece escrever, em que escrever é uma necessidade, em que perder-me no vazio que há em mim pode ser.
Penso nas coisas de sempre, que são sempre, até deixarem de ser. penso em domingos, para mim domingos são dias de national geographic e torradas e café e filmes de domingo à tarde debaixo da manta, mesmo quando os domingos já não são nada disto. penso que sou um poço de nostalgia pelas coisas de sempre, mesmo quando não são para sempre. penso que um dia as coisas de sempre deixam de ser e quando as queremos de volta já não é domingo e há um mundo entre nós e os domingos. mas talvez nunca as queiramos de volta. talvez sem as coisas de sempre, domingos deixem de fazer sentido. penso nas coisas de sempre, que são sempre, até deixarem de ser… e de repente o vazio que há em mim inunda-se de lágrimas e percebo que só eu quero ainda esses domingos perdidos no que deixou de ser…





