Foi hoje que nos sonhei?, não sei já, talvez ontem, sei que não amanhã. Tu estavas lá, nesse sítio que não sei onde, via-te como se sem lentes ou óculos, que às vezes uso óculos, quando os dias me pesam. Viste-me de óculos? Não lembro, tanta coisa que esqueci, tanta coisa que nunca soube, uma vida, diria em tom nostálgico, quase triste de resignação, se fosse de dizer alguma coisa. Não sei se é. Sonhei-nos um dia destes, então será, que não amanhã, que para amanhã não há sonhos assim, não proibidos, só não, como sonhar com fadas e elefantes amarelos, tontices que não vão ser, embora goste de amarelo e elefantes e sonhos, fadas nem por isso. Sem lentes ou óculos, devo ter-me esquecido, desfocado, estavas, mas eras tu, sonhei-te. Não sei se falámos, às vezes ouvíamos o silêncio, mas não muitas vezes, que não gostavas, acho, mais que não sei, mas dizia que falámos ou não, porque não lembro a tua voz no sonho, nem a minha, só tu desfocado como se ao longe, mas perto, lembra-me que a ausência é do espírito, porque no sonho estavas ali só que não.
ali só que não
Anúncios
Anúncios