Estava sol. Guardo pouco mais que isso. Talvez um ou outro aroma que me desperte anos mais tarde quando já não souber que estava sol. Depois choveu. Chuva não fria, senti-a nas pernas a entrar nos sapatos de menina a esquecer a idade. O aroma dessa chuva de Primavera, vou lembrar sempre. Sozinha nos anos, uma lágrima lenta a recordar o sol que depois foi chuva. Acho que me davas a mão, mas podia ser que não. Só o sol e as rugas dos meus olhos a fecharem entre a luz e os sorrisos de ti, antes da chuva que nos molhou. Depois choveu. O beijo e os nossos corpos molhados mas não frios no beijo quente. Não me seguravas a mão. Tocaste-me o cabelo e a alma sob a chuva dessa Primavera que não sei se um dia vivi. Sozinha nos anos, uma lágrima lenta a recordar que talvez…
lágrima lenta…
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