Há anos atrás, escrevi:
Pessoas vêm e vão
E dessas, apenas algumas,
Poucas
Deixam em nós
A suave pegada de uma presença forte!
Nunca foi tão verdade o que escrevi como no dia em que me despedi do P.. Quando voltar a Oxford, a ausência dele fará o frio de Janeiro saber a calor.
Como se explicam os amigos? Como se explica a amizade? Ou a química entre pessoas que se conhecem há anos no primeiro encontro? Qualquer coisa no sorriso do P. que nunca falha em fazer-me sorrir… Só hoje a realidade do vazio que…
Os meus amigos, todos, fazem-me uma pessoa melhor e aproximam-me do meu ideal de mim. O P. era o meu contacto com a vida simples que esqueço tantas vezes, perdida entre os queros do que não me faz fala e os luxos de que não preciso. As minhas jornadas de bicicleta sob chuva intensa e frio eram sorrisos de dever cumprido quando o via chegar a 30 segundos do comboio partir, um sorriso nos olhares que se encontram porque se procuram. A inteligência de um homem de princípios, que parece um menino, marcou-me como não esperava quando me encontrei rodeada por essa estranha espécie que aprendi a amar, os físicos.
No depois, o sorriso irónico – o que nos manterá próximos serão todas as coisas que a ele lhe parecem quase supérfulas e umas quantas toneladas de CO2, que estou preparada para justificar em nome da saudade que já sinto.
(o P. chama-se Patrick e é Francês, outra espécie estranha de que aprendi a gostar)





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