Quando volto atrás e penso no instante que terá mudado os dias, vejo sempre as escadas. ouço os teus passos, que espero teus, e depois tu, és tu. as escadas, o som dos teus passos. sei a posição das escadas em relação à porta. esqueci as cores, penso até que esqueci os cheiros da casa naquele inverno até que sinto o aroma do teu pescoço, por um instante apenas. sei o que vestias, com uma exactidão que não esperava. as escadas. o som dos teus passos. para mim, foi aí. tudo o resto foi depois. se a vida se reescrevesse em dias de chuva, passava a borracha branca e escrevia por cima a lápis. para que ficasse sempre uma impressão, do que poderia ter sido. não descias as escadas. não haveria o som dos teus passos. quando volto atrás, ao momento que mudou momentos, as escadas, o som dos teus passos, tu.
quando olho para trás…
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