Às vezes faltam-me as palavras, palavras que falam da saudade de dormir quente com gatos aos pés, das conversas sobre nada que eram tão importantes na altura, com a tv ao fundo, na britcom, do café que era sempre carioca para mim nos maias que nunca se chamaram maias mas ainda hoje me faz sorrir o nome assim dado por nós, dos lanches de fim de tarde no Aviz, com meia de leite clara e morna e torrada com pouca manteiga, em que a vida era descoberta nas palavras, as que me faltam, que dizia pela primeira vez à mesa da janela, sempre a mesma, dos pastéis folhados de espinafres do Monte Branco no verão que foi acordar do amor e aprender a viver sem na praia que nos aquecia o espírito, no mar que nos refrescava as ideias e a pele morena, dos jantares em Gambelas e dos sorrisos dos meus amigos que guardo no lugar das coisas boas que temos sempre à mão, que revejo nas fotografias que sou feliz por ter, dos jantares em Montenegro que me faziam desejar tantas vezes que a vida não nos obrigasse a crescer nunca, do radiador que não era meu mas que estava no meu quarto nas noites frias da britcom e dos trabalhos que eram demais para o tempo que tínhamos e de como o meu quarto ficava quente com os trabalhos de grupo e as gargalhadas que soltam os bêbados de sono, como estávamos tanta vez, dos abracinhos apertados do meu irmão e da belly que is going away e nunca vai e ele aperta e faz-me sorrir porque é a minha pessoa preferida e das pessoas preferidas tudo nos faz sorrir e querer mais, das girly nights nas noites frias de Bristol que às vezes até nem eram tão frias assim mas eu tenho frio quando a ilha é noite, das tardes de fim do trabalho que eram telefonemas para Londres e relatos caóticos das vidas que íamos construindo devagar, dos dias de verão em Oxford que são sempre os melhores e me põe um sorriso feliz de sol na alma. Às vezes faltam-me as palavras que contam os pormenores quietos das minhas memórias felizes. Nunca me faltam as imagens ou o som do riso ou o aroma da felicidade.
faltam-me…
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