Comprei um caderno de receitas, com uma capa muito vintage cuja foto não encontrei na net. Para este caderno, comecei a copiar as receitas antigas que estão num mui útil ficheirozinho que se assemelha a uma página wiki, que me permitiu mudar para o UK cheia de receitas maravilha a peso zero de bagagem. Tenho, eu, alguns hábitos estranhos e um deles é começar a escrever num caderno, seja ele de que tipo for, com qualquer coisa que me seja importante. Passando os olhos pelo ficheiro, vi a primeira receita doce que fiz, copiada do caderno precioso de receitas da minha Avó, que era na verdade uma agenda tão antiga que as folhas estavam já amarelas e mal se mantinham no sítio e que eu adorava porque me parecia tão bonito (e quero um dia que o meu caderno de receitas esteja assim). Salame. Salame de chocolate. E lembrei-me de quando fazia salame na casa de Montenegro, em Faro, e a J. estava encarregue de esmagar as bolachas e eu era chata pra ela e rabujava que não estavam bem esmagadas e ela mandava-me esmagá-las eu mas ficava ali e lá ia buscar o rolo da massa e passava por cima das bolachas cuidadosamente embrulhadas no saco plástico e eu lá lhe perguntava se ela não achava que estava muito melhor e ela dizia que era igual e eu sorria, como sorrio agora, porque às vezes tenho tantas saudades dela… tenho saudades de fazer receitas com ela e de ser chata pra ela e de ela ser chata pra mim mas no fundo nada daquilo importar e o que fica desses dias é uma saudade imensa de nos podermos chatear, porque isso significa que estamos juntas.
das memórias escondidas
Quinta-feira, 26 Março 2009 por Cientista
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Eu também adoro salame de chocolate :))*
Como te entendo. Ontem escreveu-me no Facebook o meu amigo Antonio que viveu comigo em Madrid, o qual “adoptamos” como hospede temporario porque nao encontrava casa. Tambem me lembrei do tempo que vivemos juntos, as pequenas desavencas quando estavamos todos juntos a fazer o jantar na cozinha. Tipo “voces em Lisboa nao sabem temperar a comida”, “os murcoes do Porto temperam a pescada como se fosse um bife” e coisas do genero… 🙂 Mas tenho tantas saudades desses momentos. As conbersas sobre fado na varanda, a fumar um cigarro e a ver o ocado deitar-se sobre o parque do Retiro. O pigarrear caracteristico do Antonio enquanto me falava das milhentas coisas que iamos fazer no futuro. Sim, sinto falta da vida que vivi la, e sei que no fundo isso e porque me falta a presenca das pessoas que viviam essa vida comigo. E as vezes, quando a distancia aperta mais, parece que essas memorias sao todo o tempo que vivemos juntos. Beijo, obrigado por me fazeres pensar em coisas bonitas.
Só tu para pôr ocado e pigarrear no mesmo parágrafo 🙂 Fazes-me sorrir!
Sim, é isso, sentir falta das pessoas que viveram “essa vida” connosco…
Beijo.