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Foi no dia a seguir ao dia que passou, quando as flores amarelas foram focos de luz e aromas primaveris na Primavera que nunca foi. Foi nesse dia. Os móveis escondiam-se debaixo dos lençóis brancos ainda sem pó, em jeito de casa antiga, que não era. Queria arrancar os lençóis, dobrá-los metodicamente e guardá-los nas gavetas dos móveis escuros que ocupavam divisões em lugares solenes de banalidade por uso. Devolver à casa fechada as janelas abertas em plantas viradas para o sol. No ar, ainda um breve aroma dos perfumes matinais dos que já não existem, que estavam lá só antes dos lençóis, e que admiravam os móveis e às vezes compravam flores amarelas porque. Foi nesse dia. Foi nesse dia que chorei.
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