Quando a C. trocou Londres pela Pátria, eu quis encher o meu moleskine de palavras que nunca encontrei, de pensamentos que nunca consegui formalizar nessa escrita a tinta preta que cobre páginas. Ficou tão vazio o meu mundo que minhas eram essas palavras inexistentes em páginas vazias.
Às vezes, é mesmo isso, só isso. Um peso de nada. Um nada demasiado grande para explicar. Sinto-lhe a ausência nos telefonemas quase diários, tantas vezes mal punha um pé fora do trabalho a caminho da estação. SInto-lhe a falta nas palavras que não precisavam, nunca precisaram, de explicação. Acima de tudo, sinto-lhe simplesmente a falta.





Menina,
Tocaste-me no coração. E tocas todos os dias. Quer pelas saudades das palavras que estavam lá todos os dias, quer pelas palavras que mesmo sem estarem eu imagino ali mesmo nesse instante. Porque há dias bem mais duros do que aquilo que estamos preparados para transparecer… mas tu fazes-me sempre sorrir. Muito. No rosto. E na alma.
C.x
Que saudades, menina. x
Quando estamos fora as ausências custam mais. Mas, como tudo, habituamo-nos, damos a volta e encontramos outro meio de comunicaçao, outras pontes. Às vezes custa mesmo muito porque há pessoas que nos dao vontade de as fazer reféns dos nossos quotidianos… Este ano tive que me despedir de muita gente de quem gosto, e sei que vai continuar a ser assim, porque a vida é ela mesmo uma viagem. O que importa é ter a certeza definitiva de que estivémos juntos alguma vez. Na planície em chamas. 😉
Es sempre um querido, na perspectiva poetica yet objectiva que partilhas aqui… sim, as despedidas fazem parte da vida, bem como a criatividade para encontrar novos meios de comunicacao, mas… ainda assim, com todas as certezas que temos, custa tanto despedirmo-nos daqueles que sao uma parte de nos!
Mas aí é que está, menina. Quando já sao parte de nós, nunca nos despedimos dessas pessoas. Levamo-nas sempre connosco. 😉