Descobri que sou invisível. Coisinha útil, a invisibilidade. Dá para ouvir conversas secretas e ir a concertos sem pagar bilhete. E a quem devo agradecer esta novidade sobre a minha pessoa? A um motorista de autocarro. Porque só a invibilidade justifica que ele não me veja a gesticular na paragem para que ele páre. No primeiro dia pensei de mim para mim que talvez não tivesse sido suficientemente clara; talvez estar na paragem certa, com o bilhete na mão, a acenar não fosse explícito. Hoje, casualmente com um casaco rosa e um gorro de malha a condizer, mal vi o autocarro gesticulei veementemente, sem medos de ridículo, que esses não nos transportam onde queremos ir, até dei saltinhos e lembro-me claramente de abanar bem os braços em semi-círculos. Mas… não, ele não me viu. E é claro que não pode ser um problema dele, por certo, porque quereria ele não parar e deixar-me ali à chuva? Sim, povo, eu sou invisível. Coisinha útil, a invisibilidade!
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Ainda bem que não apanhaste o autocarro. O motorista era míope e aquilo era um perigo andar lá dentro com ele.
Always look on the bright side of life 😀
É a desvantagem de não viver a dois minutos das aulas… a pé!
Também!