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Archive for Novembro, 2005

saudade

Sou sensível à saudade. Talvez isso faça parte da herança deste povo, dizem que saudade é uma palavra quase da exclusividade da língua portuguesa.
O texto que se segue, em bom português, fala de saudade com saudade, e provoca, diria quase inevitavelmente, sentimentos de saudade. É da autoria de Miguel Falabella, e foi publicado no jornal “O Globo”. Encontrei-o num blog recém-descoberto, o ante et post.

“Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.

Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade de um filho que estuda fora.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quart o, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada; se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial; se ela aprendeu a estacionar entre dois carros; se ele continua preferindo Malzebier; se ela continua preferindo suco; se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados; se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor; se ele continua cantando tão bem; se ela continua detestando o MC Donald’s; se ele continua amando; se ela continua a chorar até nas comédias.

Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos;
Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento;
Não saber como frear as lágrimas diante de uma música;
Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso…
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer;

Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler… “

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devendra

Este senhor encheu a Aula Magna de uma alegria simples e contagiante.

Devendra Banhart e os Hairy Fairy, cantaram e encantaram.
Cripple Crow, o novo álbum, foi apresentado ao vivo e a cores. E, como bónus, o meu querido At the hop… Que prenda!

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eu vou

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missão de fim de semana

Procura a maravilha.

Onde um beijo sabe
a barcos e bruma.

No brilho redondo
e jovem dos joelhos.

Na noite inclinada
de melancolia.

Procura.

Procura a maravilha.

Eugénio de Andrade

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early morning view

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Queria ir tomar o meu café matinal aqui… com vista!

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os ditadores

Gosto de livros históricos. E tenho um especial fascínio por livros sobre a época da II Guerra Mundial, em todas as suas vertentes.

Pela primeira vez uma análise profunda dos dois regimes e das suas populações. Richard Overy tenta responder a algumas questões. Como foram possíveis essas ditaduras? Como funcionaram? Qual era o laço que unia de modo tão poderoso o ditador e o seu povo? Overy apresenta um relato vivido e notável referente às diferentes maneiras como Estaline e Hitler chegaram ao poder, e abusaram e dominaram os seus respectivos povos.
“Os Ditadores” é uma arrepiante análise do poder corrompido pela vaidade de homens ambiciosos e sem escrúpulos.

Este chegou-me hoje às mãos, uma prenda inesperada do meu Pai! Também ele partilha este meu gosto especial por este período da História (ou serei eu que partilho o dele?). Folheei-o, senti-lhe as páginas e preparo-me para mergulhar nas palavras.

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café, por favor

Bom dia!

Tenho andando com pouco tempo.
Em compensação, o sono entope-me.

Preciso disto!
Grãos e tudo!!

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