testar a vida

beijar

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Ofício de Amor

Se conheces o prazer, não escatimes o beijo

pois o prazer de amar não comporta medida.

Deixa-te beijar e beija tu depois,

que nos lábios sempre é onde o amor perdura.

Não beijes, não, como o escravo e o crente,

mas como o viandante à fonte oferecida.

Deixa-te beijar – ardente sacrifício –

quanto mais queima mais fiel é o beijo.

Que terias feito se tu morresses antes,

sem mais fruto do que a aragem no rosto?

Deixa-te beijar, e no peito, nas mãos

– amante ou amada – a taça muito alta.

Quando beijes, bebe, o copo sare o medo:

beija no pescoço, o sítio mais formoso.

Deixa-te beijar,

e se ainda te apetece

beija de novo, pois a vida é contada.

Joan Salvat-Papasseit

Rosa do Mundo – 2001 Poemas para o Futuro

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