Hoje, quero deixar a memória fora de mim. Fechar os olhos e não te ver em formato história, como quando eu vestia amarelo e tu me sorrias do outro lado da mesa e eu te brilhava no olhar. Deixar a memória embrulhada em papel de seda num banco de jardim, sem saber de quando ríamos e discutíamos a Língua Portuguesa e chovia lá fora mas nós não sabíamos. Deixar a memória pousada na mesa de um café qualquer que nunca nos vai ouvir dizer que temos todo o tempo do mundo. Porque não temos.
Hoje, quero deixar a memória fora de mim e não saber por que sorriso me sorrio quando fecho os olhos e te encontro ali.




